12 de outubro de 2016

carta para um pai ausente

olá pai, daqui é a tua filha. não, não estou a morar na rua nem preciso de dinheiro. tenho comida, cama e um teto. também tenho uma mãe que sempre fez o papel dela e o teu. a verdade é que tenho pena que as coisas entre nós não sejam fáceis, sabes? às vezes vejo aqueles filmes onde as filhas têm uma grande relação com os pais, e depois olho para nós, e percebo que não corresponde de todo à nossa situação. mal nos falamos, e o pior de tudo, é que se eu não te disser nada, também não és capaz de me perguntar como estou ou se preciso de alguma coisa. tenho pessoas que me amam e que se preocupam genuinamente comigo, mas gostava que tu fosses uma dessas pessoas. e não és. gostava que estivesses presente na minha vida, mas não estás. vais estando, conforme te apetece. e depois, voltas a ir embora. e nunca mais sei nada de ti. até que te apeteça voltar a aparecer. na verdade, acho que já me habituei a isso. talvez um dia as coisas entre nós comecem a ser diferentes, talvez um dia nos consigamos amar um ao outro como pai e filha. quem sabe. 

Sem comentários:

Enviar um comentário