14 de outubro de 2016

jm

gostava que estivesses aqui. como sempre estiveste. gostava que voltasses para mim, para todos nós. que continuamos à tua espera mesmo depois de mais de quatro anos desde que partiste. continuas muito presente nas vidas das pessoas que te rodeavam. continuamos todos à espera que voltes para nós, e ainda todos temos esperança que isto seja apenas um sonho mau. falo por mim, não há um único dia em que não pense em ti, no teu sorriso, na tua alegria, na facilidade que tinhas em fazer toda a gente rir. não há um único dia em que não deseje ter-te aqui. não há um único dia em que eu não acorde e deseje com todas as minhas forças que tudo isto tenha sido um pesadelo. mas todos os dias desiludo-me a mim própria, porque acabo mais cedo ou mais tarde por perceber que foi real. e a realidade dói. se algum dia tive dúvidas disso, graças ao facto de teres partido, deixei de duvidar. preciso de ti. aliás, todos nós precisamos de ti. há sempre algo que me faz lembrar de ti, esteja eu onde estiver. em minha casa, na rua, na escola, no café, no carro, no centro comercial. vai haver sempre um detalhe que vai fazer lembrar de ti. uma camisola parecida com uma que tu usavas, uns óculos de sol iguais aos teus, um riso parecido com o teu, alguém alto como tu. tudo pequenos detalhes mas que me relembram tanto a pessoa que tu eras. a alegria com que nos brindavas todos os dias e todas as noites. entrar no teu quarto é das coisas que mais me custa fazer. por mais que não pareça, mas é. porque sei que não te vou encontrar ali, deitado na tua cama a dormir, como te encontrava quase sempre. porque se havia coisa que tu gostavas de fazer, era dormir. acho que nisso, somos bastante parecidos. tenho tantas saudades de entrar em tua casa e perguntar por ti e ouvir sempre a mesma resposta ''onde é que achas que ele está? está a dormir claro", no entanto, agora há uma diferença. tu não vais estar ali a dormir, nunca mais. e isso dói tanto. dói tanto saber que nunca mais te vou ver, que nunca mais te vou dar um beijinho sempre que te vir, que nunca mais me vais pedir ajuda para ver se o carro estava bem estacionado, que nunca mais te vou abraçar, que nunca mais vou ver o teu sorriso. arrependo-me de tanta coisa que nunca te disse, e que devia ter dito. arrependo-me de todos os abraços que te quis dar e nunca dei. arrependo-me de todas as vezes em que te queria dizer que te adoro e nunca disse. só espero que um dia consigas perdoar-me por te ter falhado. por não te ter demonstrado o quanto eras importante na minha vida, e o quanto precisava de ver o teu sorriso para que o meu dia ficasse completo. não sei quando é que te vou voltar a ver, nem se algum dia te vou voltar a ver. mas quero que saibas que estejas onde estiveres, estarás sempre comigo. 

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